Tuesday, December 23, 2008

1. João, e Maria?


Ela escrevia versos que mal cobriam as páginas, eram desprovidos de paixão. E no início, por mais que eu a conhecesse desde sempre, eu não via entusiasmo. E, eu não sabia, o entusiasmo era exatamente escondido. Esconder. Escondido. Porque não cortava, não se continha.



Nas primeiras vezes não perguntei o que achava de todos aqueles poetas latinos, e de alguns europeus, que carregavam aqueles tiques de lirismo. Por lirismo eu achava dizer o derrame sentimental. Pensei que era óbvio em seu desprezo uma repulsa por aquela escrita. Eu não sabia, achava que entendia.



Quando consegui convencê-la a se deitar comigo, num jogo de excitá-la e convencê-la a me excitar e me deixar montá-la, no silêncio e no escuro, porque desliguei o gerador e todas as luzes para ela tirar também os óculos escuros, sussurrei: você deve detestar Celine, não é?



Muita falação. É palavrório, ela respondeu. Eu amava as frases dela: ele é palavrório. Havia aberto as pernas, mas não decidia o que fazer com o meu pau.

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