Saturday, July 19, 2008

A vida de Euclides 01


Ele entrou na sala e se virou para encarar a mulher. Ela ocupava o único sofá do quarto, encostado na parede, embaixo da janela imensa que deixava ver as duas avenidas. Estava virada para a porta, a cabeça inclinada na direção dele, e seus olhos poderiam encontrar os olhos dele. E os olhos não acompanhavam o corpo. Mas não era cega, e sabia que talvez ela visse algo dele, porque olhava um ponto acima, à esquerda, examinava o batente.


Euclides disse oi.


Ela fechou os olhos e baixou a cabeça. As mãos se acomodaram as pernas, como se fosse uma divindade egípcia. E abriu um sorriso antes de abrir os olhos e encará-lo.


Fixou um ponto entre os olhos de Euclides, disse oi, e deixou os olhos correrem pelo corpo dele até ele se aproximar e ela ter de encará-lo mais uma vez.


Antes de entrar eu achei que você era a Bruna, ele disse.


Sou a Renata.


São bem parecidas.


E Renata disse:


- Talvez. Provavelmente. E com quem você se parece?


- Com minha tia?


- Talvez – ela sussurrou e voltou a correr os olhos pelo rosto dele.


Provavelmente, Euclides sussurrou de volta.


- Ah, é.


- E – e não sabia se estendia a mão ou se devia abaixar-se alcançar seus lábios. Fez as duas coisas, apertou a mão de Renata, enquanto roubou um beijo de seus lábios – e eu sou Euclides.


Euclides se acomodou no sofá, Renata segurava suas mãos.


- Você me acha mais bonita?


Euclides sabia que deveria responder sim.






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