A vida de Euclides 01
Ele entrou na sala e se virou para encarar a mulher. Ela ocupava o único sofá do quarto, encostado na parede, embaixo da janela imensa que deixava ver as duas avenidas. Estava virada para a porta, a cabeça inclinada na direção dele, e seus olhos poderiam encontrar os olhos dele. E os olhos não acompanhavam o corpo. Mas não era cega, e sabia que talvez ela visse algo dele, porque olhava um ponto acima, à esquerda, examinava o batente.
Euclides disse oi.
Ela fechou os olhos e baixou a cabeça. As mãos se acomodaram as pernas, como se fosse uma divindade egípcia. E abriu um sorriso antes de abrir os olhos e encará-lo.
Fixou um ponto entre os olhos de Euclides, disse oi, e deixou os olhos correrem pelo corpo dele até ele se aproximar e ela ter de encará-lo mais uma vez.
Antes de entrar eu achei que você era a Bruna, ele disse.
Sou a Renata.
São bem parecidas.
E Renata disse:
- Talvez. Provavelmente. E com quem você se parece?
- Com minha tia?
- Talvez – ela sussurrou e voltou a correr os olhos pelo rosto dele.
Provavelmente, Euclides sussurrou de volta.
- Ah, é.
- E – e não sabia se estendia a mão ou se devia abaixar-se alcançar seus lábios. Fez as duas coisas, apertou a mão de Renata, enquanto roubou um beijo de seus lábios – e eu sou Euclides.
Euclides se acomodou no sofá, Renata segurava suas mãos.
- Você me acha mais bonita?
Euclides sabia que deveria responder sim.

0 Comments:
Post a Comment
<< Home